quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Bolhas de sabão



Era mesmo assim, calado. De inicio, com palavras e certezas, dizia pouco. Sua linguagem não-verbal era, do contrário, muito intensa. Ao menos a ela. Um dia desandou a falar, contava, se abria, desabava sobre uma mulher que era mesmo uma mistura de doce com força, ternura, medo e franqueza. Mas o não-verbal permanecia, e juntas as duas formas de se comunicar a encantavam e ao mesmo tempo a invadiam com violência. Uma constante dualidade. Ele sabia. Falar-se no olhar lhes fazia muito bem. Ela pensava, pensava muito, sonhava, dividia, sentia. Ambos pareciam sensíveis a tudo, por vezes até de mais. À vida, ao que doía, ao que gritava por dentro, ao que lhes faltava. Tornaram-se, de uma forma muito excêntrica, complementares. No abraço, sentiam a verdade, mas na palavra, na procura, na realidade, tudo era sonho, fantasia. Ou seria a fantasia, uma realidade? Algumas coisas ficaram no caminho, juntaram-se com muitos nós e interrogações e perderam-se. Outras, por certo entraram, marcaram até sabe-se lá quando, ou com que profundidade... Era mesmo assim, indefinido. E não deveria ou poderia ter sido de qualquer outra forma. Calados, permaneceram. E então, aquele mundinho tão intimo, pessoal e fantasioso foi se afastando, indo pra longe como bolhas de sabão, tornando-se então, apenas saudade.



"Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão...Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que, de mim, arrancam lágrimas e canções." Friederich Nietzsche

2 comentários:

  1. Fiquei leve e inspirada com esse post! Como você faz isso?
    =)

    Beijocas minha borboletinha

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