quinta-feira, 26 de maio de 2011
Cuida
Sorte? Um vento, um suspiro, uma ligação.
Um sorriso, dois encontros, uma boa ação.
Sozinho é impossível, já dizia o poeta.
Colo de mãe, conforto de pai,
presença de amigo, e o mimo dele sempre.
Somando, quando a sensação é não ter mais nada pra dar.
Mais forte, por dividir.
As circunstâncias estão ali, mas já não são as mesmas.
Ou são?
Se não se está sozinho, não.
sábado, 21 de maio de 2011
Sem fala
Henri Cartier-Bresson
Sem voz. Muito pra dizer, mas não deve. Espera.
Supera, escuta, repara.
A vida é bem mais que dizer. É sentir.
Não se diz só por som, se diz no olhar, no gesticular, no silenciar.
Se diz no musicar, no escrever... E tanto.
Se diz no fotografar, no abraçar, no afeto.
Se diz assim, sem dizer.
Se diz só sendo você. Sem voz.
Ouve só. O som que Ele tem pra mostrar.
E envolver o silêncio numa delícia de amar.
"Há coisas que melhor se dizem calando".
(Machado de Assis)
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Let it rain
Não escolho quantas gotas caem do céu
Nem o número de lágrimas dos meus olhos
Não escolho a velocidade com que o mundo gira,
Ou como andam os que têm pressa.
Tão pouco posso escolher quando vem a tempestade
E com que potência.
Mas posso escolher meus passos.
No mundo emocional, muitas vezes dois para trás, significam léguas à frente.
E basta estender a mão.
Não me solte, step by step, tô caminhando.
Toda tempestade passa. Foi Ele quem me contou. =)
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Pai e mãe, ouro de mina
Meus diários eu devo a ela, que me ensinou a delícia da entrega na escrita.
A ele, minha humildade, minhas incertezas da vida. Também o gosto por filmes, e o desespero em lugares lotados.
Dele nasceu minha vontade de ficar em casa
dela o desejo por viagem, por descobrir o mundo inteiro.
Dele o meu paladar, meu olfato.
Dela minha energia, meu sorriso.
Dele o andar vagaroso, minha introspecção.
Dela um pouco do meu grito, mas só mesmo quando preciso - é bom saber que lá está.
Em mim um pouco da loucura de cada um, mas (Deus é pai), numa medida única
só minha.
A eles meus versos, meus abraços,
minha cara e minha cor.
A eles todo meu amor.
A eles todo meu amor.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Na valsa
Te alcanço
Me lanço
Me largo
Te jogo
Me enlaço
no abraço teu
E na valsa do amor, só quem doa é ganhador.
terça-feira, 15 de março de 2011
Quero
Às vezes quero tudo.
Quero pegar sol o dia todo sem me preocupar com filtro solar, sem pensar no amanhã, nas crises ou nos terremotos. Sem pensar que o mar pode virar Tsunami, que os anos passam, que posso ter três filhos, que posso nunca ter filhos, que posso ser uma boa mãe, ou daquelas que fazem de gato e sapato... Quero me perder de todos, inclusive de mim mesma, mas nunca daquele que me guia. Quero viajar o mundo, mas ter minha casinha, o meu ninho sempre à espera. Quero me desprender, e ao mesmo tempo me jogar no seu colo.
Quero ser adulta, ser borboleta, ser onda, ser vento. Quero ser uma mosquinha, um golfinho, uma menina... Quero ficar de férias, e voltar à rotina. Quero viver na Europa, mas nunca sair do lugar. Quero muito e não quero quase nada. Quero sorrisos, abraços, e laços sempre sinceros. Mas quero aprender com o meu fracasso, minhas decepções. Quero ser gente, me compadecer da dor alheia sem absorvê-la toda pra mim. Mas também quero não ligar, me esconder, ser ausente. Quero dizer não sem doer, e expandir... Não ter medo de sentir.
Quero um domingo tranqüilo, e todas as aventuras do mundo. E essa frase só me fez pensar na sua mão entrelaçada na minha, seja no domingo ou pelo mundo afora.
Quero o que quero e o que não quero tanto assim.
Quantas contradições cabem em mim?
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Des(arrume)
A vida acontece no desarrumar.
A caneta que secou e te obrigou a pedir outra emprestada. E te fez olhar pro lado. E te fez se misturar, conhecer, (re)conhecer. Trocar, discordar, lutar. Até que o outro te bagunçou e você precisou rearrumar. O difícil não é a mudança, mas a nova arrumação. E sempre que alguém chega, dá um jeitinho de tirar um vasinho dali e colocar naquele outro canto que você antes ignorava... Ou mesmo não via, ou não gostava. Mas mudou. E ficou bom daquele jeito novo também, e foi por ele, só por causa dele.
E você pensa, "se ele não viesse, eu não teria tirado o vaso, e não teria conseguido escrever palavras novas naquele caderno em branco. Estaria até agora me lamentando pela caneta sem tinta..."
Sempre que algo importante acontece, e te faz repensar sua vida, foi pela feliz escolha de ter permitido que alguém viesse desarrumar seu mundo.
Os momentos marcantes, o "pulo do gato", a mudança, a falta de ar, de juízo, de planejamento... Ali está ela: a vida.
"Abre essa janela, deixa o dia amanhecer você". Crombie.
Assinar:
Postagens (Atom)




