segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pai e mãe, ouro de mina


Meus diários eu devo a ela, que me ensinou a delícia da entrega na escrita.
A ele, minha humildade, minhas incertezas da vida. Também o gosto por filmes, e o desespero em lugares lotados.
Dele nasceu minha vontade de ficar em casa
dela o desejo por viagem, por descobrir o mundo inteiro.
Dele o meu paladar, meu olfato.
Dela minha energia, meu sorriso.
Dele o andar vagaroso, minha introspecção.
Dela um pouco do meu grito, mas só mesmo quando preciso - é bom saber que lá está.
Em mim um pouco da loucura de cada um, mas (Deus é pai), numa medida única
só minha.
A eles meus versos, meus abraços,
minha cara e minha cor.
A eles todo meu amor.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Na valsa


Te alcanço
Me lanço
Me largo
Te jogo
Me enlaço
no abraço teu

E na valsa do amor, só quem doa é ganhador.

terça-feira, 15 de março de 2011

Quero


Às vezes quero tudo.

Quero pegar sol o dia todo sem me preocupar com filtro solar, sem pensar no amanhã, nas crises ou nos terremotos. Sem pensar que o mar pode virar Tsunami, que os anos passam, que posso ter três filhos, que posso nunca ter filhos, que posso ser uma boa mãe, ou daquelas que fazem de gato e sapato... Quero me perder de todos, inclusive de mim mesma, mas nunca daquele que me guia. Quero viajar o mundo, mas ter minha casinha, o meu ninho sempre à espera. Quero me desprender, e ao mesmo tempo me jogar no seu colo.

Quero ser adulta, ser borboleta, ser onda, ser vento. Quero ser uma mosquinha, um golfinho, uma menina... Quero ficar de férias, e voltar à rotina. Quero viver na Europa, mas nunca sair do lugar. Quero muito e não quero quase nada. Quero sorrisos, abraços, e laços sempre sinceros. Mas quero aprender com o meu fracasso, minhas decepções. Quero ser gente, me compadecer da dor alheia sem absorvê-la toda pra mim. Mas também quero não ligar, me esconder, ser ausente. Quero dizer não sem doer, e expandir... Não ter medo de sentir.

Quero um domingo tranqüilo, e todas as aventuras do mundo. E essa frase só me fez pensar na sua mão entrelaçada na minha, seja no domingo ou pelo mundo afora.

Quero o que quero e o que não quero tanto assim.

Quantas contradições cabem em mim?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Des(arrume)


A vida acontece no desarrumar.
A caneta que secou e te obrigou a pedir outra emprestada. E te fez olhar pro lado. E te fez se misturar, conhecer, (re)conhecer. Trocar, discordar, lutar. Até que o outro te bagunçou e você precisou rearrumar. O difícil não é a mudança, mas a nova arrumação. E sempre que alguém chega, dá um jeitinho de tirar um vasinho dali e colocar naquele outro canto que você antes ignorava... Ou mesmo não via, ou não gostava. Mas mudou. E ficou bom daquele jeito novo também, e foi por ele, só por causa dele.
E você pensa, "se ele não viesse, eu não teria tirado o vaso, e não teria conseguido escrever palavras novas naquele caderno em branco. Estaria até agora me lamentando pela caneta sem tinta..." 
Sempre que algo importante acontece, e te faz repensar sua vida, foi pela feliz escolha de ter permitido que alguém viesse desarrumar seu mundo.
Os momentos marcantes, o "pulo do gato", a mudança, a falta de ar, de juízo, de planejamento... Ali está ela: a vida.

"Abre essa janela, deixa o dia amanhecer você". Crombie.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vida nova, ano novo.

Basta uma luz. Ela se acende, e você enxerga. Basta. Desbasta a bagunça, o que dificulta, dificultava.

Quando se está no escuro por muito tempo, e de repente algo se acende, os olhos doem, é incômodo enxergar. É mais ou menos como o bebê, que tem dificuldade de abrir os olhos assim que nasce, pois a luz é forte de mais, e o esforço é grande. Mas aos poucos, ele vai se adaptando e logo quer ver tudo que o cerca.
Dessa forma, aos poucos, a cada piscar, nossos olhos vão se acostumando com a novidade. E mesmo quando teimamos, quando como crianças indefesas, traçamos o caminho que nos levaria ao sofrimento, Ele permite, Ele acompanha, e vai acendendo as lâmpadas pelo caminho... Pela sua graça, numa dessas, voltamos a ver. O caminho já não parece tão florido, tão interessante como antes. Podemos ver os buracos, as gigantes ladeiras, o que de nós ficaria no caminho... A luz que chegou pode deixar clara de mais aquela situação que não queríamos ver direito... e dói, incomoda, surpreende. Mas Ele está ali também, e junto com a feiúra que surgiu com a luminosidade, outras coisas apareceram: aquele amigo que você não via há tempos, aquela oportunidade de pegar de volta no violão empoeirado que de tanto gostava, aquele tempo só pra cuidar de você, que você vinha empurrando com a barriga... lembra? Sobrou espaço agora, espaço pra ser aproveitado com amor, com comunhão, novos laços, e daqui ha um tempo, uma novidade ainda melhor de vida. Mas até que ela chegue, aproveite, se cuide, lembre-se de relacionar-se com o Deus, aquele que acendeu a luz e permitiu que você visse, Ele quer continuar com você em todo o tempo, mesmo nos momentos mais escurinhos... Ele pode ser sua lanterna, sempre em mãos. Às vezes, é preciso que algo que acreditemos nos decepcione: um amor, um emprego, um sonho. Nesse momento uma nova luz pode acender, e tudo, no seu tempo, se refaz. 
Andar sozinho não tem graça, bom mesmo é ser cheio da graça de quem vê além das curvas e além do nosso alcance.

Pouco importa. Andar ao lado de quem guia faz toda a diferença.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2010


Queria estar inspirada. Afinal, é o meu último post do ano de 2010. 
O ano do desapego. Despego do status quo, da "estabilidade". Um ano de "tudo diferente". 
O ano das conseqüências das mudanças iniciadas em 2009. Mudança é mesmo um processo: ninguém muda de uma hora pra outra, ou só porque resolveu mudar. Mudar o outro então, nem pensar, esquece!
Um corte de cabelo novo e ousado não é a mudança em si: ele é o reflexo de uma mudança profunda e lenta. Muda-se de dentro pra fora, aos poucos, e dói pra burro.

É preciso relaxar. Saber curtir um momento, uma situação, uma paisagem, um mergulho, uma companhia. 
Nada se repete. Pode até ser parecido, mas não é igual, pois você mesmo já não é o mesmo que era na primeira vez. Você mudou, o outro mudou, e a relação também.
Por isso, não existe essa tal de "segurança". Ela é uma ilusão, um nome que inventamos pra o costume. Não pense que o que está acostumado a sentir não muda, que o seu parceiro não muda, ou os seus amigos... Os planos mudam, as expectativas, os sentimentos, as  idéiais ideias (e até as regras de ortografia)!
A única coisa que não muda mesmo é a rede Globo.
Sonhar nunca é de mais. É bom experimentar, pois qualquer dia desses o sonho pode mesmo tomar forma e cor bem na sua frente!
A leitura é outro tipo de relacionamento: com as personagens, a história, os cheiros e gostos. 
E a música... Ah! Fica até difícil falar. Música é companhia, é sentimento que pulsa em algum lugar entre o nosso coração, o do compositor, e as notas ouvidas (e porque não sentidas)?
É bom passar um tempo sozinho. De preferência com um café com leite, e jazz ao fundo. 
Ir ao cinema muitas vezes no ano transforma a vida de qualquer um. Fato. É um encontro com nossas próprias catarses.
Fazer terapia é libertador pra qualquer alma (e as que estão à sua volta). E não digo isso por ser terapeuta, mas cliente. 
Muitas vezes, a sua mudança alcança o outro e ele acaba tendo que mudar com você. É bom sentir a leveza alcançada por uma relação outrora cansativa. Se você se respeitar, o outro não tem alternativa a não ser te respeitar também.
O nascimento de uma criança gera um sentimento de perdão e alegria. E tudo se faz novo. 
Cultivar amigos faz brotar: sorrisos, poesias, presentes, risadas, viagens, memórias... um sem fim de bênçãos.
Entregar-se ao novo é fundamental. Dali abre-se janelas e portas bem largas que antes não tínhamos reparado.
É interessante permitir que as pessoas te surpreendam. Quebrar paradigmas nos faz mais humanos e menos "donos da verdade".
Falar é bom. Dizer não também. Tudo o que guardamos lá dentro, pode gerar doença. E doenças sérias! Se o outro não pensa assim, ao menos você se amou o suficiente para expressar o que sentia.
Não há sentimentos bons e maus. Tudo faz parte da nossa natureza. Não é feio ter raiva, é natural. Feio é dar um soco em alguém no trânsito, porque você não disse ao seu pai que não gostou da maneira que ele te tratou mais cedo.
O outro é um espelho. Talvez "aquele jeito" dele te incomode tanto, porque você gostaria de ser um pouco mais assim também, mas não teve coragem.
Deus as vezes coloca pessoas muito difíceis na sua vida, para que você aprenda com elas.
Vá com medo, mas vá! =)
Converse com sua criança interior de vez em quando. Pode ser que até hoje ela atrapalhe um pouco na sua maneira de ser. O que fez sentido um dia, hoje pode não fazer mais. Deixe que ela vá.
Fale dos seus traumas com alguém que confia. Fantasmas intocáveis tendem a crescer...
Toda escolha é uma renúncia.
Quando resolvemos entrar em contato com nossos problemas emocionais, nos tornamos livres, pois fica claro que temos sempre mais de um caminho a seguir: Existem opções! Repetir sem se dar conta não é saudável.
Construir algo seu traz uma sensação única! Fico imaginando como será ter um filho...
O mundo pode estar muito evoluído, mas trocar sempre será vital. A vida acontece no entre.
A relação com nossos pais muda sempre, e é bom vivenciar suas vantagens a cada nova fase.
O amor não deve ser egoísta. É preciso saber dosar.
A distância não necessariamente muda coisa alguma. O que muda é não aprender a lidar com a falta. 
Chore quando sentir vontade. Lágrimas não foram feitas para ficarem presas, assim com os passarinhos.
O estado do seu quarto está diretamente relacionado com seu estado de espírito. É bom arrumá-lo every now and then.
O twitter e o facebook são divertidos, mas não fazem companhia. Desligue-se de vez em quando. 
Viajar é fundamental. Mesmo que seja a 1h de distância.  
Comer com prazer faz bem a saúde!Exercitar-se também!
Relacionamentos são trabalhosos. E muito. Mas nada vale mais do que sentir-se cativado.
Sem fé nada disso seria possível. Deus transforma se a gente quiser. Mas Ele respeita nosso espaço....

Agradeço a todos os meus amigos, que viveram comigo esse ano de 2010. 
Amo muito todos vocês! 
Que 2011 seja um ano abençoado, rico em amor, paz, saúde e muito aprendizado! 
Beijos!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sem teto e sem chão





Era uma tarde cinzenta. Lá estava, num banco de praça. Um banco que nunca havia sentado antes, numa praça que costumava ignorar. Toma um gole de café. A bebida desce quente pela sua garganta. Suspira. Quase pode ouvir o tic-tac do relógio. Um pássaro passa voando. Então, lembra-se dele. Mais um gole...

Palavras lançadas ao vento, certos abraços apertados, detalhes quase imperceptíveis: um passo mais lento, um olhar ensurdecedor, risadas cegas, gestos soltos, um piscar de olhos, talvez. O carinho que faltou, o atravessar paralisante, o descaso desconcertante. A falta.
E esbarravam em medos, regressavam sem soltar. Embaraço. Como um nó sem nós, envolto num laço frouxo e disforme.
Histórias escritas nas esquinas de uma cidade sem silêncio. Cúmplice. Histórias essas, regadas por xícaras de café, pelo balanço do metrô, nas entrelinhas de tantos livros espalhados, nas notas de um jazz desafinado. Reféns de palavras nunca ditas. Laço construído e desapegado, frágil, abandonado. Afeto sem teto, sem chão. Emoção provocada e lançada ao vento, procurando-se desfazer.
Roubou dela o respirar, o leve repousar e algumas lágrimas. Deixou em troca poesias, humildes conclusões e um mergulho em si mesma.
Encontro desencontrado, perturbado, profundo e raso, certo e tão duvidoso. Dor que se desdobra, só dorme um pouco, até que acorda. Fantasia, lembrança, vento...
Um esbarrão, um susto, um parêntesis: tem sua importância, carrega dentro de si um sentido. Mas a história continua com ele, apesar dele.
A dor, o frio na espinha, o acelerar dentro do peito: o tempo levou... fez voar. Levou também os diálogos, as fantasias, e (quase) todas as esperanças. Levou o que o vento um dia trouxe.
E o que ficou, era então, só dela. Só lhe restava colher os frutos e as flores pelo caminho.

Levanta a cabeça do livro rabiscado à sua frente. Mais um gole. Apenas fragmentos de uma história de (des)amor.