sábado, 21 de maio de 2011

Sem fala

Henri Cartier-Bresson


Sem voz. Muito pra dizer, mas não deve. Espera.
Supera, escuta, repara.
A vida é bem mais que dizer. É sentir.
Não se diz só por som, se diz no olhar, no gesticular, no silenciar.
Se diz no musicar, no escrever... E tanto.
Se diz no fotografar, no abraçar, no afeto.
Se diz assim, sem dizer.
Se diz só sendo você. Sem voz.
Ouve só. O som que Ele tem pra mostrar.
E envolver o silêncio numa delícia de amar.

"Há coisas que melhor se dizem calando".
(Machado de Assis)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Let it rain


Não escolho quantas gotas caem do céu
Nem o número de lágrimas dos meus olhos
Não escolho a velocidade com que o mundo gira,
Ou como andam os que têm pressa.
Tão pouco posso escolher quando vem a tempestade
E com que potência.
Mas posso escolher meus passos.
No mundo emocional, muitas vezes dois para trás, significam léguas à frente.
E basta estender a mão.
Não me solte, step by step, tô caminhando.

Toda tempestade passa. Foi Ele quem me contou. =)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pai e mãe, ouro de mina


Meus diários eu devo a ela, que me ensinou a delícia da entrega na escrita.
A ele, minha humildade, minhas incertezas da vida. Também o gosto por filmes, e o desespero em lugares lotados.
Dele nasceu minha vontade de ficar em casa
dela o desejo por viagem, por descobrir o mundo inteiro.
Dele o meu paladar, meu olfato.
Dela minha energia, meu sorriso.
Dele o andar vagaroso, minha introspecção.
Dela um pouco do meu grito, mas só mesmo quando preciso - é bom saber que lá está.
Em mim um pouco da loucura de cada um, mas (Deus é pai), numa medida única
só minha.
A eles meus versos, meus abraços,
minha cara e minha cor.
A eles todo meu amor.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Na valsa


Te alcanço
Me lanço
Me largo
Te jogo
Me enlaço
no abraço teu

E na valsa do amor, só quem doa é ganhador.

terça-feira, 15 de março de 2011

Quero


Às vezes quero tudo.

Quero pegar sol o dia todo sem me preocupar com filtro solar, sem pensar no amanhã, nas crises ou nos terremotos. Sem pensar que o mar pode virar Tsunami, que os anos passam, que posso ter três filhos, que posso nunca ter filhos, que posso ser uma boa mãe, ou daquelas que fazem de gato e sapato... Quero me perder de todos, inclusive de mim mesma, mas nunca daquele que me guia. Quero viajar o mundo, mas ter minha casinha, o meu ninho sempre à espera. Quero me desprender, e ao mesmo tempo me jogar no seu colo.

Quero ser adulta, ser borboleta, ser onda, ser vento. Quero ser uma mosquinha, um golfinho, uma menina... Quero ficar de férias, e voltar à rotina. Quero viver na Europa, mas nunca sair do lugar. Quero muito e não quero quase nada. Quero sorrisos, abraços, e laços sempre sinceros. Mas quero aprender com o meu fracasso, minhas decepções. Quero ser gente, me compadecer da dor alheia sem absorvê-la toda pra mim. Mas também quero não ligar, me esconder, ser ausente. Quero dizer não sem doer, e expandir... Não ter medo de sentir.

Quero um domingo tranqüilo, e todas as aventuras do mundo. E essa frase só me fez pensar na sua mão entrelaçada na minha, seja no domingo ou pelo mundo afora.

Quero o que quero e o que não quero tanto assim.

Quantas contradições cabem em mim?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Des(arrume)


A vida acontece no desarrumar.
A caneta que secou e te obrigou a pedir outra emprestada. E te fez olhar pro lado. E te fez se misturar, conhecer, (re)conhecer. Trocar, discordar, lutar. Até que o outro te bagunçou e você precisou rearrumar. O difícil não é a mudança, mas a nova arrumação. E sempre que alguém chega, dá um jeitinho de tirar um vasinho dali e colocar naquele outro canto que você antes ignorava... Ou mesmo não via, ou não gostava. Mas mudou. E ficou bom daquele jeito novo também, e foi por ele, só por causa dele.
E você pensa, "se ele não viesse, eu não teria tirado o vaso, e não teria conseguido escrever palavras novas naquele caderno em branco. Estaria até agora me lamentando pela caneta sem tinta..." 
Sempre que algo importante acontece, e te faz repensar sua vida, foi pela feliz escolha de ter permitido que alguém viesse desarrumar seu mundo.
Os momentos marcantes, o "pulo do gato", a mudança, a falta de ar, de juízo, de planejamento... Ali está ela: a vida.

"Abre essa janela, deixa o dia amanhecer você". Crombie.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vida nova, ano novo.

Basta uma luz. Ela se acende, e você enxerga. Basta. Desbasta a bagunça, o que dificulta, dificultava.

Quando se está no escuro por muito tempo, e de repente algo se acende, os olhos doem, é incômodo enxergar. É mais ou menos como o bebê, que tem dificuldade de abrir os olhos assim que nasce, pois a luz é forte de mais, e o esforço é grande. Mas aos poucos, ele vai se adaptando e logo quer ver tudo que o cerca.
Dessa forma, aos poucos, a cada piscar, nossos olhos vão se acostumando com a novidade. E mesmo quando teimamos, quando como crianças indefesas, traçamos o caminho que nos levaria ao sofrimento, Ele permite, Ele acompanha, e vai acendendo as lâmpadas pelo caminho... Pela sua graça, numa dessas, voltamos a ver. O caminho já não parece tão florido, tão interessante como antes. Podemos ver os buracos, as gigantes ladeiras, o que de nós ficaria no caminho... A luz que chegou pode deixar clara de mais aquela situação que não queríamos ver direito... e dói, incomoda, surpreende. Mas Ele está ali também, e junto com a feiúra que surgiu com a luminosidade, outras coisas apareceram: aquele amigo que você não via há tempos, aquela oportunidade de pegar de volta no violão empoeirado que de tanto gostava, aquele tempo só pra cuidar de você, que você vinha empurrando com a barriga... lembra? Sobrou espaço agora, espaço pra ser aproveitado com amor, com comunhão, novos laços, e daqui ha um tempo, uma novidade ainda melhor de vida. Mas até que ela chegue, aproveite, se cuide, lembre-se de relacionar-se com o Deus, aquele que acendeu a luz e permitiu que você visse, Ele quer continuar com você em todo o tempo, mesmo nos momentos mais escurinhos... Ele pode ser sua lanterna, sempre em mãos. Às vezes, é preciso que algo que acreditemos nos decepcione: um amor, um emprego, um sonho. Nesse momento uma nova luz pode acender, e tudo, no seu tempo, se refaz. 
Andar sozinho não tem graça, bom mesmo é ser cheio da graça de quem vê além das curvas e além do nosso alcance.

Pouco importa. Andar ao lado de quem guia faz toda a diferença.